domingo, 19 de janeiro de 2014

Estados e municípios perderam cerca de R$ 23 bi com desonerações do IPI

Segundo a Confederação Nacional dos Municípios, essa foi a perda desde 2009 do Fundo de 

Participação dos Municípios e do Fundo de Participação dos Estados

A desoneração do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) para sonhos de consumo, como o carro e a máquina de lavar roupa, foi adotada em caráter provisório para combater uma eventual retração da economia a partir da crise financeira de 2008. Boa parte da renúncia fiscal, porém, permanece até hoje, encolhendo o caixa não apenas da União. Segundo levantamento da Confederação Nacional dos Municípios (CNM), a desoneração do IPI desde 2009, já incluindo a estimativa de 2014, provocou uma perda de R$ 23,5 bilhões a Estados e municípios.
O ministro Guido Mantega defende a desoneração como uma alternativa positiva para elevar o consumo, reverter a retração dos setores beneficiados e preservar empregos - o que, por tabela, no médio prazo, aqueceria a economia e levaria ao aumento da arrecadação, anulando a renúncia fiscal.
Não foi o que identificou a CNM. Estados e municípios perderam recursos por meio dos fundos criados para a União compartilhar o IPI. O Fundo de Participação dos Estados, que recebe 21,5% do IPI, perdeu R$ 12,4 bilhões. O Fundo de Participação dos Municípios, que fica com 23,6% da arrecadação, tem uma retração estimada em R$ 11,1 bilhões.
"Foi dinheiro que deixou de ser investido na melhoria da infraestrutura e em serviços básicos: só a saúde perdeu R$ 4 bilhões", diz Paulo Ziulkoski, presidente da CNM.
Insustentável. Na avaliação de Raul Velloso, especialista em contas públicas, há um prejuízo ainda maior, que ainda não foi bem avaliado. Velloso concorda que desonerações deveriam ser bem-vindas, pois aliviam o peso da enorme carga tributária do Brasil. Mas, segundo ele, como o gasto público é engessado por várias obrigações, cortes aleatórios tendem a trazer mais prejuízos do que benefícios.
Velloso identificou que o crescimento das receitas e das despesas era quase igual até 2008,cerca de 9% ao ano. À medida que a desoneração ganhou espaço, a receita continuou a crescer, mas abaixo da expansão das despesas. Nos 12 meses fechados em novembro de 2013, a receita cresceu 2,6%, abaixo dos 6,1% de alta das despesas.
"Não é possível que o governo não tenha percebido que a desoneração, sem corte de gastos, é insustentável e coloca em risco a solvência do País, pois afeta não apenas a União, mas também Estados e municípios", diz Velloso.


terça-feira, 14 de janeiro de 2014

Liberação de trigo argentino beneficia o Brasil


Após um ano de restrição às exportações de trigo, o governo argentino autorizou ontem o embarque imediato de 500 mil toneladas do cereal e sinalizou que mais 1 milhão de toneladas devem ser habilitadas gradualmente.
A notícia chega em um bom momento para o Brasil, que até julho precisará importar cerca de 4 milhões de toneladas, segundo Lucílio Alves, pesquisador do Cepea. O volume equivale a cerca de 35% da demanda anual.
A Argentina é, tradicionalmente, o maior fornecedor de trigo para o país, que precisa importar pelo menos metade do consumo interno. Com a ausência do vizinho no ano passado, os moinhos precisaram recorrer a outros produtores, como EUA e Canadá.
Essa movimentação, aliada à alta do dólar e à quebra da safra brasileira, encareceu o trigo no país. Mesmo com a isenção da TEC (Tarifa Externa Comum), válida até 30 de novembro, o trigo do hemisfério Norte chega mais caro ao Brasil por causa do frete.
O consumidor sentiu no bolso: a farinha de trigo subiu 30% em 2013, e o pão francês, 15%, segundo o IPCA, índice de inflação do IBGE.
Na safra atual, comercializada neste momento, a produção de trigo apresentou um crescimento de 25%, mas a expectativa é de estoques apertados ao fim de julho.
Segundo a Conab (Companhia Nacional de Abastecimento), eles armazenarão 834 mil toneladas, o equivalente a um mês de consumo.
Além disso, boa parte do trigo disponível, produzido no Rio Grande do Sul, não é adequada para a produção de pães, o que aumenta a necessidade de importações.
"A liberação de exportações de trigo argentino ajuda a frear altas nas cotações e a abastecer regiões mais necessitadas", afirma Alves.
O tamanho do impacto no mercado brasileiro dependerá, no entanto, do fluxo de liberações das cargas argentinas e da taxa de câmbio.
A expectativa dos moinhos brasileiros é que as exportações argentinas sejam superiores às sinalizadas pelo governo, entre 2,5 milhões e 3 milhões de toneladas, segundo Lawrence Pih, presidente do Moinho Pacífico.
Para ele, a safra argentina superará 10 milhões de toneladas, ante a expectativa do governo de 9,2 milhões de toneladas, e haverá excedente para exportação.
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Proibição O governo da Indonésia, principal produtor mundial de níquel, decidiu banir a exportação do mineral em bruto e só autorizar o embarque do material já refinado. O objetivo é estimular o processamento no país.
Reação O anúncio provocou uma alta de 2% no preço à vista do níquel, em Londres, para US$ 13.980 por tonelada. Para analistas, a medida pode contribuir para levar o mercado mundial a um deficit no próximo ano.
Recuperação? O Cecafé, que reúne exportadores de café, espera alta de 5% nos embarques, em volume, em 2014. Nos primeiros sete dias úteis deste ano, porém, eles caíram 10% ante igual período de 2013, segundo o Mdic.
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Seca reduz potencial da soja em Mato Grosso do Sul
O clima quente e seco em algumas regiões produtoras de soja pode afetar o potencial da safra que começa a ser colhida. Segundo a AgRural, os maiores problemas estão em Mato Grosso do Sul, mas ainda estão longe de sinalizar uma quebra de safra.
No sul do Estado, que já sofria com a escassez de chuva desde o início da safra, produtores estimam perda de 20% a 30% na produtividade, informa a consultoria.
Também há relatos de perdas no norte do Paraná, onde as lavouras chegaram a ficar 30 dias sem chuvas, e no sudoeste de Goiás.
Já em Mato Grosso, líder em produção de soja no país, o clima contribui para o bom rendimento da safra. Segundo o Imea, a colheita no Estado atingia 1,9% da área total na sexta-feira passada.
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Cargas
Portos do Paraná têm recorde em 2013
Pelo terceiro ano consecutivo, os portos de Paranaguá e de Antonina, no Paraná, registraram recorde na movimentação de cargas. Segundo dados divulgados ontem, foram mais de 46,1 milhões de toneladas movimentadas em 2013. O volume é 3,6% superior ao registrado no ano anterior.

BC começa hoje primeira reunião do ano para definir taxa básica de juros


O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central (BC) começa, na tarde desta terça-feira (14), a primeira reunião de 2014 para discutir se mantém o processo de aumento da taxa básica de juros (Selic), que teve início em abril do ano passado, quando estava em 7,25% ao ano. De lá para cá, a Selic foi elevada em 2,75 pontos percentuais, chegando aos 10% atuais.
Foram seis reajustes seguidos e, se depender da expectativa dos analistas de instituições financeiras, expressa no boletim Focus, divulgado na segunda-feira (13) pelo BC, a tendência é o Copom subir a taxa de juros em mais 0,5 ponto percentual.
A decisão será anunciada na noite de quarta-feira (15), quando terminar a segunda etapa da reunião.
As reuniões do Copom ocorrem em intervalos de 45 dias, sempre em duas etapas, para fixar a taxa média dos financiamentos diários dos títulos federais, depositados no Sistema Especial de Liquidação e Custódia (Selic). Por extensão, a taxa básica de juros é conhecida também como Selic.
Hoje, os chefes de Departamento do BC analisam a conjuntura doméstica sobre as variáveis macroeconômicas, com foco na avaliação das tendências de inflação. Amanhã, os diretores de Política Monetária e de Política Econômica apresentam alternativas de taxa de juros de curto prazo para deliberação dos demais diretores. Só o colegiado de diretores tem direito a voto.

segunda-feira, 13 de janeiro de 2014


Mercado espera inflação de 6% em 2014

Analistas de mercado e economistas esperam uma pressão mais forte da inflação neste ano em relação a 2013.
No ano passado, o índice oficial de preços, IPCA, fechou acima do previsto e frustrou a meta informal do governo de entregar inflação abaixo do ano anterior. A expectativa é que o índice avance mais em 2014, para 6%, se aproximando ainda mais do teto da meta do governo, de 6,5%.
A previsão consta de levantamento do Banco Central com cerca de cem instituições financeiras, o boletim Focus, divulgado semanalmente. No último levantamento, os analistas esperavam uma inflação de 5,97% neste ano.
O IBGE divulgou na última semana que o IPCA de 2013 ficou em 5,91%, acima do ano anterior, impactado sobretudo pelos alimentos.
Os sinais de maior pressão neste ano ficaram evidentes no resultado de dezembro. Foi o maior índice para o mês desde 2002, com impactos da gasolina, passagens aéreas e uma tendência de nova aceleração no preço dos alimentos.
Para a previsão de 2014, os analistas levam em conta o reajuste no grupo dos preços administrados. O governo se esforçou para manter inalteradas as tarifas sobre as quais têm controle para evitar uma alta mais expressiva da inflação. Boa parte delas deve subir neste ano.
Estão nessa categoria a energia elétrica, tarifa de ônibus e combustível. Os três foram contidos por ações do governo no ano passado.


Desconto da contribuição ao INSS nos salários vai mudar em fevereiro

Quando os trabalhadores começarem a receber seus salários em fevereiro, já terão o desconto das novas contribuições ao INSS (Instituto Nacional do Seguro Social).
Na sexta-feira (10), o Ministério da Previdência Social divulgou as novas faixas salariais e as alíquotas de descontos dos salários neste ano. Com a alteração, aumentou o valor máximo do salário a ter o desconto de 8%, que passou de R$ 1.247,70 para R$ 1.317,07.
O desconto do INSS para quem ganha o teto passou de R$ 457,49 para R$ 482,93.
A nova tabela de descontos da contribuição previdenciária muda também os pagamentos dos trabalhadores autônomos e prestadores de serviços, que fazem os recolhimentos por conta própria, pelo carnê, e das empregadas domésticas.
No Estado de São Paulo, os salários das domésticas, seguem o mínimo regional, de R$ 810 neste ano. Por isso, o valor do mínimo que será descontado de seus salários para o INSS, é de R$ 64,80. A alíquota para os patrões continua a mesma, de 12% sobre o salário. Para o piso, eles recolherão R$ 97,20.
TETO
Os trabalhadores com carteira assinada que contribuem pelo teto do INSS também terão um novo desconto. O valor passará a ser de R$ 482,93, pois o teto passou a ser de R$ 4.390, 24.
O autônomo poderá pagar de R$ 144,80 a R$ 875,05 neste ano. Esse mínimo e máximo correspondem a 20% do valor do salário mínimo e do teto. Com esse pagamento, o autônomo tem direito à aposentadoria por tempo de contribuição e por idade, que serão calculadas pela média das 80% maiores contribuições.
Eles também podem pagar 11% do mínimo, para ter a aposentadoria por idade no valor do salário mínimo. (FERNANDA BRIGATTI)

Rússia negocia construção de usinas nucleares no Brasil e na Argentina


Moscou, 13 jan (EFE).- A agência atômica russa, Rosatom, informou nesta segunda-feira que negocia com Brasil e Argentina para a construção de usinas nucleares, e destacou a importância da América Latina para seus planos de futuro.

"Temos um considerável interesse na América Latina. Por exemplo, na Argentina e no Brasil", afirmou Sergei Kiriyenko, chefe da Rosatom, à agência "Interfax".

Kiriyenko destacou que Rosatom mantém "negociações preliminares" com as autoridades brasileiras e argentinas, que ainda não anunciaram oficialmente a licitação para a construção de suas novas usinas atômicas.  A Argentina deve anunciar uma disputa para a construção da sua quarta usina nuclear com 1.800 megawatts de potência, projeto que despertou também interesse de EUA, França, China e Coreia do Sul.

Rússia e Argentina assinaram em 2011 um memorando de cooperação para o uso pacífico da energia nuclear. Com relação ao Brasil, Rosatom expressou seu interesse em participar como construtor e investidor no programa estatal de construção de entre quatro e oito usinas nucleares até 2030. Atualmente, Rosatom constrói ou projeta reatores nucleares na China, Turquia, Belarus, Vietnã e Índia. 

Balança comercial brasileira começa o ano com déficit



A balança comercial brasileira iniciou o ano com déficit, ao registrar um saldo negativo de US$ 574 milhões nas duas primeiras semanas de janeiro (do dia 2 a 10 deste mês), informou, nesta segunda-feira, 13, o Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (Mdic). Foram US$ 5,069 bilhões em exportações e US$ 5,643 bilhões em importações no período.
A primeira semana respondeu por um superávit de US$ 110 milhões. Já a segunda semana teve um resultado negativo de US$ 684 milhões na balança comercial.
Exportações
A média diária de US$ 724,1 milhões nas exportações nas duas primeiras semanas de janeiro é 0,2% inferior à média diária de US$ 725,8 milhões dos embarques realizados em todo o mês de janeiro de 2013. Essa baixa é explicada pelas menores compras de produtos manufaturados.
As aquisições de produtos dessa categoria apresentaram baixa de 7,2%, na comparação da média diária no acumulado deste mês (US$ 263,9 milhões) com janeiro do ano passado (US$ 284,5 milhões). Esse resultado foi encabeçado pela queda nas vendas de etanol, tubos flexíveis de ferro ou aço, açúcar refinado, autopeças, medicamentos, máquinas e aparelhos para uso agrícola, pneumáticos e automóveis de passageiros.
As exportações de produtos básicos, por sua vez, subiram 3,3%, de US$ 297,5 milhões da média diária de janeiro de 2013 para US$ 307,4 milhões no acumulado deste mês. O resultado foi puxado por soja em grão, minério de alumínio, petróleo em bruto, farelo de soja, arroz em grãos, minério de manganês e carne bovina.
Já no caso dos semimanufaturados, a média cresceu 4,9%, passando de US$ 121,3 milhões em janeiro de 2013 para US$ 127,2 milhões no acumulado deste mês. Os melhores desempenhos foram verificados em óleo de soja em bruto, celulose, sucos e extratos vegetais, óleo de dendê em bruto, madeira laminada e em estilhas, borracha sintética e artificial e ferro-ligas.
Importações
Na outra ponta, as importações caíram 11,4% nas duas primeiras semanas de janeiro, com média diária de US$ 806,1 milhões, ante US$ 909,4 milhões em todo o mês de janeiro do ano passado.
As maiores baixas foram registradas em combustíveis e lubrificantes (-71,7%), leite e derivados (-38,0%), aeronaves e peças (-23,9%), bebidas e álcool (-21,4%), farmacêuticos (-9,9%), cereais e produtos de moagem (-6,1%), veículos automóveis e partes (-5,9%) e produtos siderúrgicos (-2,2%).